Arteterapia
Arteterapia
"Um arteterapeuta que confia e promove o processo de criação de arte encorajará seus clientes a apenas fazer - em vez de confiar em palavras para pensar e racionalizar ações. Cada encontro com os materiais é um passo em um caminho que mais tarde se revelará significativo. A alma identificará sua necessidade precisa através do corpo. Nosso objetivo é estimular nossos clientes a trilhar esse caminho da criação. Esperamos que eles encontrem suas metáforas e soluções criativas para suas vidas – para criar movimento e progresso. "
Nona Orbach. O ateliê suficientemente bom. Tradução de Jéferson Diogo. 2024.
Arteterapia em ateliê
A arteterapia em ateliê é um convite à experimentação. É a relação com um espaço onde o fazer artístico não é orientado somente pela técnica, pelo resultado ou por uma interpretação imediata, mas pela vivência expressiva e pelo diálogo com o que emerge no encontro entre imagem, corpo, material e imaginação.
Minha formação é a partir das Expressive Arts Therapy, uma abordagem que compreende a arte como uma linguagem fundamental da experiência humana. Pintura, desenho, escrita, movimento, som, objetos e diferentes materialidades tornam-se caminhos de acesso ao mundo interior, permitindo que emoções, imagens e histórias encontrem forma, ritmo e contorno.
No ateliê, criar é um modo de conhecer a si-mesmo.
A arteterapia em ateliê incentiva a relação com o espaço de criação, levando para o mundo as transformações ocorridas durante as sessões. Partimos do princípio de que a experiência estética possui potencial terapêutico em si. O foco não fica apenas na análise verbal da obra, nem na busca de significados fixos, mas no processo criativo e em tudo o que ele nos proporciona.
Nesta abordagem, trabalhamos com a noção de intermodalidade, ou seja, a possibilidade de transitar entre diferentes linguagens expressivas - da imagem para o corpo, da palavra para o som, do gesto para o desenho, etc. Esse transitar amplia a percepção, flexibiliza padrões e favorece novas formas de relação consigo, com o outro e com o mundo. A criação em ateliê acontece em diálogo com:
o corpo e a sensorialidade;
o tempo e o ritmo próprios;
o acaso, o jogo e a experimentação;
a escuta do que pede forma.
O ateliê como espaço terapêutico
O ateliê não é apenas um local físico, mas um campo simbólico de experimentação. Nele, a relação com o espaço, os materiais, o tempo e com o terapeuta sustentam um ambiente de segurança, liberdade e presença.
Cada material carrega qualidades próprias - resistência, fluidez, peso, textura, cor - que provocam respostas emocionais e corporais distintas. Ao se relacionar com essas materialidades, a pessoa entra em contato com modos de agir, sentir e se posicionar diante da vida. No ateliê terapêutico:
não há certo ou errado;
não há exigência de estética ou técnica;
o foco se dá no processo da criação artística;
a criação acontece no ritmo de cada pessoa.
Nos atendimentos presenciais, temos o espaço do ateliê e todos os seus materiais disponíveis para os processos em arteterapia. Nos atendimentos online, é solicitado que cada pessoa colecione diversos materiais que possam ser utilizados nas sessões e em momentos de criações pessoais.
Meu trabalho como testemunha do processo
Minha atuação enquanto arteterapeuta se baseia como testemunha do processo dentro das possibilidades de criação e experimentação de um ateliê terapêutico. Compreendo o ateliê como um terceiro elemento que oportuniza uma série de reflexões e transformações no corpo, mente e alma de cada pessoa.
Não conduzo o processo a partir de temas fechados ou modelos pré-estabelecidos. O que orienta meu trabalho enquanto arteterapeuta é aquilo que emerge no encontro entre a pessoa, os materiais e o campo do ateliê. Na arteterapia em ateliê, o processo, a obra e o diálogo com a mesma são acolhidas como parte da experiência terapêutica.
A arteterapia em ateliê é indicada - dentre tantas outras - para:
processos de autoconhecimento;
atravessamentos emocionais e existenciais;
dificuldade de expressão verbal;
estados de ansiedade, esgotamento ou bloqueio criativo;
investigação simbólica e sensível da própria vida;
como amplificadora do processo de psicoterapia.
Atualmente, atendo adultos e as sessões duram entre 1 hora e 1 hora e 30min e ocorrem presencialmente em Porto Alegre (Praia de Belas) ou de modo online (Via Google Meet).
No primeiro atendimento é realizado uma identificação das demandas trazidas pela pessoa que busca o atendimento, bem como uma avaliação da efetividade da proposta dentro da busca. São realizados os acordos como horários de atendimento, orientações e formas de pagamento. Entre em contato para informações sobre valores e possibilidades de atendimentos sociais.
Não. A arteterapia não é sobre habilidade artística nem sobre produzir algo bonito. O foco está na experiência de criar e no que esse processo desperta internamente. Qualquer pessoa pode participar, independentemente de experiência com arte.
Não. Embora utilize materiais artísticos, a arteterapia não foca no ensino de técnicas ou avaliação dos resultados. Os materiais são usados como meios de expressão e cuidado de si, e não com ênfase no aprendizado artístico.
Em geral, a sessão acontece em um ambiente tranquilo, permissivo e acolhedor de ateliê. A pessoa pode desenhar, pintar, escrever, modelar, movimentar o corpo ou experimentar diferentes materiais. A conversa pode surgir naturalmente, mas não é obrigatória.
Não. Falar é sempre um convite, nunca uma obrigação. Algumas pessoas preferem apenas criar e observar. Outras sentem vontade de compartilhar. Ambas as formas são respeitadas e fazem parte do processo.
Não. A arteterapia pode ser um processo terapêutico em si ou complementar à psicoterapia verbal. A melhor forma de cuidado é avaliada de maneira individual, respeitando as necessidades de cada pessoa.
Não há um tempo fixo. A duração depende dos objetivos, do momento de vida e do ritmo de cada pessoa. O processo pode ser breve ou mais longo, sendo ajustado ao longo do caminho.
Sim. A arteterapia também pode acontecer online, com adaptações nos materiais e propostas. Mesmo à distância, é possível sustentar um espaço de cuidado, expressão e acompanhamento terapêutico, promovendo ateliês nos espaços cotidianos da vida.
As produções pertencem a quem cria. Podem ser mantidas no ateliê terapêutico por um período de tempo a ser combinado com o profissional. Podem ser guardadas, revisitadas ou descartadas, de acordo com o desejo da própria pessoa.
Não. A arteterapia também pode ser um espaço de autoconhecimento, cuidado preventivo e desenvolvimento pessoal. Não é necessário estar em crise para se beneficiar do processo